Afinal as sondagens enganavam. Algo de extraordinário aconteceu, e não foi só o clima que impediu idas à praia.
Durante esta campanha para as eleições europeias as máquinas inverteram o ciclo e trouxeram Portugal para a Europa. O perigo deste tipo de distorsão advém da delimitação de competências na UE. Para ampliar confusões tivemos a denominação de primeira volta das legislativas. Agora é tempo de rever estratégias e afinar máquinas.
Triste foi a perda desta oportunidade única para explicar a Europa e suas razões aos cidadãos; a crise económica e a pertença à UEM, a intervenção legislativa, o distanciamento de certas capacidades de decisão, tudo passou ao lado do grande eleitorado... E os temas legítimos só saíram da prateleira para serem enunciados sem grande decoro, como aconteceu no episódio do imposto europeu, logo pela mão de Vital, o candidato que vinha falar da Europa...
A campanha padeceu de um alheamento da realidade da construção europeia, sem falar do Tratado de Lisboa e porque se insiste nessa crise institucional auto-infligida, ou esquecendo a diferença da adesão da Islândia ou da Turquia. À boca da urna alguém me disse que só não sabemos se não queremos, porque a informação está toda disponibilizada em diversas fontes. Peca este raciocínio por uma falha: os iletrados primeiro têm que aprender a ler, e só depois os podemos atraír para os fascínios das obras literárias! Se não facultarmos os primeiros dados que tornam um assunto interessante, a pessoa sozinha nunca parte à busca. E deixar o cidadão comum em busca livre não carreia nenhuma legitimidade, presta-se à confusão porque não esclarece sobre as ideias que os partidos defendem. A campanha foi um alegre passeio entre o ideal pictórico de jornal e uma surreal troca de culpas que serve bem ao mau pagador: quem nesta campanha tentasse falar de coisas que interessassem para o momento era logo colocado à margem, até pelos media. Que o diga Laurinda Alves. A preferência ia para a polémica...
Durante esta campanha para as eleições europeias as máquinas inverteram o ciclo e trouxeram Portugal para a Europa. O perigo deste tipo de distorsão advém da delimitação de competências na UE. Para ampliar confusões tivemos a denominação de primeira volta das legislativas. Agora é tempo de rever estratégias e afinar máquinas.
Triste foi a perda desta oportunidade única para explicar a Europa e suas razões aos cidadãos; a crise económica e a pertença à UEM, a intervenção legislativa, o distanciamento de certas capacidades de decisão, tudo passou ao lado do grande eleitorado... E os temas legítimos só saíram da prateleira para serem enunciados sem grande decoro, como aconteceu no episódio do imposto europeu, logo pela mão de Vital, o candidato que vinha falar da Europa...
A campanha padeceu de um alheamento da realidade da construção europeia, sem falar do Tratado de Lisboa e porque se insiste nessa crise institucional auto-infligida, ou esquecendo a diferença da adesão da Islândia ou da Turquia. À boca da urna alguém me disse que só não sabemos se não queremos, porque a informação está toda disponibilizada em diversas fontes. Peca este raciocínio por uma falha: os iletrados primeiro têm que aprender a ler, e só depois os podemos atraír para os fascínios das obras literárias! Se não facultarmos os primeiros dados que tornam um assunto interessante, a pessoa sozinha nunca parte à busca. E deixar o cidadão comum em busca livre não carreia nenhuma legitimidade, presta-se à confusão porque não esclarece sobre as ideias que os partidos defendem. A campanha foi um alegre passeio entre o ideal pictórico de jornal e uma surreal troca de culpas que serve bem ao mau pagador: quem nesta campanha tentasse falar de coisas que interessassem para o momento era logo colocado à margem, até pelos media. Que o diga Laurinda Alves. A preferência ia para a polémica...
Neste momento especula-se o grau de legitimidade que o Governo retira destas eleições? Na minha opinião, toda, porque obviamente as eleições eram uma possibilidade de mensagem para o PS, mas não tinham nenhum grau de aceitação ou rejeição do Governo, quando muito do rumo actual das coisas. Não confundamos alhos com bugalhos. Mudança de rota não implica necessariamente mudança de timoneiro. Nas legislativas veremos quem reconhece os pontos cardeais.