No nosso país há crimes patrimoniais como a burla e o roubo que são despenalizados.
Questiono o que esperar daqueles que estão sempre prontos para levar o país a saque? Vão ao tribunal dizer ao juíz que não podiam restituir porque a vítima estava de férias, ou que a vítima se recusou a dialogar!
Num país de brandos costumes, receio que a restituição dos bens com que se apropriou o pretenso criminoso arrisca-se a ser também uma pretensão.
E se esta é uma conquista de Direito, que Estado de Direito é este?
Recordo que Berlusconi em tempos conseguiu aprovar leis que o protegiam dos magistrados.
Não estou a sugerir nenhuma comparação com outros governantes latinos.
17 de agosto de 2010
22 de julho de 2010
Tudo passa, tudo igual
Em tudo o que leio, vejo e ouço dito sobre o nosso belo país, parece iminente uma revolução. Como não há meios, nem a fome é tão grande quanto o poderíamos pensar, porque ainda não chegou às fartas mesas dos corruptos que defendem o povo em público e vão para casa comer o que lhe roubam enquanto mandatados, nem pensem que temos revolução tão depressa.
Antes que me acusem de canhoto: revolução agora seria aparecer alguém, ou um grupo de uns quantos alguns, que tenham verdadeiro egoísmo patriótico - dar a volta ao nosso país, ser messias e corajosos.
O tempo passa, e perdemos a corrida. A locomotiva, ainda que sem fôlego, escapa cada vez mais da carruagem da taberna em que Portugal se atasca.
Antes que me acusem de canhoto: revolução agora seria aparecer alguém, ou um grupo de uns quantos alguns, que tenham verdadeiro egoísmo patriótico - dar a volta ao nosso país, ser messias e corajosos.
O tempo passa, e perdemos a corrida. A locomotiva, ainda que sem fôlego, escapa cada vez mais da carruagem da taberna em que Portugal se atasca.
7 de julho de 2009
Há gestos...

Depois das Europeias, a postura do PR e a marcação de eleições autárquicas e legislativas com tanta proximidade deixa muito do jogo eleitoralista para uma cartada quase única, após a silly season.
O governo está a acusar a pressão. Há gestos que valem mais que mil palavras, e o melhor é deixar aqui a imagem, que em prova de quão escavacado está tudo. Certo que Manuel Pinho quis ser malicioso, mas não tão mal-educado. Em público duvido. Há que refrear.... as coisas.
14 de junho de 2009
Entre imaginação e delírio colectivo
Após as nossas eleições europeias, nada melhor para galvanizar o povo do que uma grande notícia.
A bolsa deve ter subido, com a transferência do maravilhoso Cristiano Ronaldo (€93 milhões, bolas para o câmbio). Curioso que ninguém tenha falado de aplicação de limites ao valor deste tipo de transferência por força da crise. Os tradicionais velhos do Restelo falaram desta feita de Barcelona, mas não deve ter havido especulação, é vocalização de inveja porque Madrid se adiantou.
Por falar em futebol e adiantar-se, Luís Filipe Vieira também fez das suas, e adiantou as eleições para o SLB. Veremos qual é o nível de abstenção em mais um escrutínio que atinge tão seriamente milhões de portugueses e pode influenciar decisivamente a sua vida.
Da Coreia do Norte chega-nos mais uma novidade (ou duas): Kim Jong-Il já designou sucessor e deixa-lhe como herança capacidade nuclear e vontade de partir para a guerra. Vejam aqui a avaliação do xadrez que ele jogará. Pena que as N.U. vejam tudo isto com maus olhos. Deve ser birra, resta saber de quem.
No Irão as eleições decorreram muito democraticamente, e pacificamente. Não percebo o que farão os protestantes na rua, e como podem eles ser tantos. Sorte que os 63% de apoiantes do Presidente confirmado sejam tão pacíficos e democráticos que nem saem à rua para pedirem aos concidadãos que deixem o país seguir o rumo legitimamente definido. Virão celebrar hoje, mas os EUA já estão de olhos postos no caso e vão emitir a sua autorizada opinião muito em breve!
Se considerarmos todo este business as usual, a transferência de um jogador da bola continua a ser a melhor e maior novidade. É a única que não gerará guerras, protestos nem tumultos sociais prevísiveis há décadas. No repúdio da herança do Estado Novo, os portugueses continuam a seguir o mundo dos relvados e balneários tão apaixonadamente, como preconizava o imaginário induzido por Salazar. E consequentemente, porque Ronaldo é uma pessoa de excepção mas não é gestor, é futebolista.
10 de junho de 2009
A rosa dos ventos
Afinal as sondagens enganavam. Algo de extraordinário aconteceu, e não foi só o clima que impediu idas à praia.
Durante esta campanha para as eleições europeias as máquinas inverteram o ciclo e trouxeram Portugal para a Europa. O perigo deste tipo de distorsão advém da delimitação de competências na UE. Para ampliar confusões tivemos a denominação de primeira volta das legislativas. Agora é tempo de rever estratégias e afinar máquinas.
Triste foi a perda desta oportunidade única para explicar a Europa e suas razões aos cidadãos; a crise económica e a pertença à UEM, a intervenção legislativa, o distanciamento de certas capacidades de decisão, tudo passou ao lado do grande eleitorado... E os temas legítimos só saíram da prateleira para serem enunciados sem grande decoro, como aconteceu no episódio do imposto europeu, logo pela mão de Vital, o candidato que vinha falar da Europa...
A campanha padeceu de um alheamento da realidade da construção europeia, sem falar do Tratado de Lisboa e porque se insiste nessa crise institucional auto-infligida, ou esquecendo a diferença da adesão da Islândia ou da Turquia. À boca da urna alguém me disse que só não sabemos se não queremos, porque a informação está toda disponibilizada em diversas fontes. Peca este raciocínio por uma falha: os iletrados primeiro têm que aprender a ler, e só depois os podemos atraír para os fascínios das obras literárias! Se não facultarmos os primeiros dados que tornam um assunto interessante, a pessoa sozinha nunca parte à busca. E deixar o cidadão comum em busca livre não carreia nenhuma legitimidade, presta-se à confusão porque não esclarece sobre as ideias que os partidos defendem. A campanha foi um alegre passeio entre o ideal pictórico de jornal e uma surreal troca de culpas que serve bem ao mau pagador: quem nesta campanha tentasse falar de coisas que interessassem para o momento era logo colocado à margem, até pelos media. Que o diga Laurinda Alves. A preferência ia para a polémica...
Durante esta campanha para as eleições europeias as máquinas inverteram o ciclo e trouxeram Portugal para a Europa. O perigo deste tipo de distorsão advém da delimitação de competências na UE. Para ampliar confusões tivemos a denominação de primeira volta das legislativas. Agora é tempo de rever estratégias e afinar máquinas.
Triste foi a perda desta oportunidade única para explicar a Europa e suas razões aos cidadãos; a crise económica e a pertença à UEM, a intervenção legislativa, o distanciamento de certas capacidades de decisão, tudo passou ao lado do grande eleitorado... E os temas legítimos só saíram da prateleira para serem enunciados sem grande decoro, como aconteceu no episódio do imposto europeu, logo pela mão de Vital, o candidato que vinha falar da Europa...
A campanha padeceu de um alheamento da realidade da construção europeia, sem falar do Tratado de Lisboa e porque se insiste nessa crise institucional auto-infligida, ou esquecendo a diferença da adesão da Islândia ou da Turquia. À boca da urna alguém me disse que só não sabemos se não queremos, porque a informação está toda disponibilizada em diversas fontes. Peca este raciocínio por uma falha: os iletrados primeiro têm que aprender a ler, e só depois os podemos atraír para os fascínios das obras literárias! Se não facultarmos os primeiros dados que tornam um assunto interessante, a pessoa sozinha nunca parte à busca. E deixar o cidadão comum em busca livre não carreia nenhuma legitimidade, presta-se à confusão porque não esclarece sobre as ideias que os partidos defendem. A campanha foi um alegre passeio entre o ideal pictórico de jornal e uma surreal troca de culpas que serve bem ao mau pagador: quem nesta campanha tentasse falar de coisas que interessassem para o momento era logo colocado à margem, até pelos media. Que o diga Laurinda Alves. A preferência ia para a polémica...
Neste momento especula-se o grau de legitimidade que o Governo retira destas eleições? Na minha opinião, toda, porque obviamente as eleições eram uma possibilidade de mensagem para o PS, mas não tinham nenhum grau de aceitação ou rejeição do Governo, quando muito do rumo actual das coisas. Não confundamos alhos com bugalhos. Mudança de rota não implica necessariamente mudança de timoneiro. Nas legislativas veremos quem reconhece os pontos cardeais.
5 de junho de 2009
Período de reflexão
Vital Moreira cativou-me na sua resposta a José Manuel Fernandes que apareceu no Público da passada terça-feira. Porém, não evitei o ensinamento bíblico das pedras atiradas pelos livres de pecado. Vital junta-se à procissão socialista, e não sendo um pecador, deixa vislumbrar alguns pecadilhos. Sócrates teve em Vital o seu fiel escudeiro. Quando conveniente, uma escusa que encheu o vazio deixado pelo líder.
“Para além de não ter as inibições próprias da filiação partidária, tenho no meu currículo muitos anos de denúncia e de combate aos interesses instalados (...)” Parece-me que isto é Vital Moreira a pedir desculpa porque sempre viu coisas apenas de um lado. E não vai mudar de atitude e faz muito bem. Foi um candidato que apareceu sempre sem preocupações quanto aos seus resultados eleitorais. Pudera, pouco lhe interessa, porque tem lugar assegurado pela sua posição na lista, e como esteve sempre fora da máquina partidária do PS, se imaginou como um convidado para levar o partido às urnas, e não à vitória, que isso pertenceria aos aparelhistas. Resta, agora em fim de campanha, saber quem se encarregaria dessa vitória... Mas nós estamos aqui é para esCAVACAr neles. Transcrevendo do artigo de Vital Moreira:
1- “(...) nenhum partido pode ser politicamente responsabilizado pela má conduta profissional ou empresarial de militantes seus, salvo quando no exercício ou a coberto de cargos partidários (...)” para aduzir que “ (...) tendo em conta a responsabilidade directa de conhecidas figuras gradas do PSD na gestão do BPN (...) o PSD devia emitir a sua opinião política sobre a questão, condená-la e demarcar-se dela (...)” Tudo isto para dizer que o silêncio é comprometedor. E a questão não será de colocar também quando um político, nomeado para homem de Estado, abusa da sua posição e depois nem sequer ele ou o partido comentam, para se desculparem, demarcarem... Parece alheado da realidade o paternal observador que esquece que a obra que protege joga às escondidas. O nosso PM avança sempre com cabalas, e nem sequer se digna pronunciar-se claramente sobre aquilo de que é acusado em público. Medo de mentir, ou medo da verdade? Será que nenhuma das crianças neste recreio não sabe jogar à apanha ou andamos a jogar ao bate-pé?!
2- Nas linhas do Público ficou uma questão “Quantos militantes do PSD se sentem confortáveis com a companhia política dos protagonistas do BPN/SLN?”. Apesar de tudo, continuo a insistir que é pior o caso de um país que tem um Primeiro-Ministro cujo nome está envolvido em casos como aqueles que trouxeram a lume o nome de José Sócrates recentemente. Teorias da conspiração lembram-me a explicação das cegonhas ou a vinda do Pai Natal.
3- “Se os partidos políticos não podem ser responsabilizados pela censurável conduta extrapartidária dos seus militantes, já é exigível que se distanciem dela quando seja especialmente lesiva dos interesses públicos e comprometa politicamente o partido.” Concordo plenamente, mas onde é que está o Sr. Procurador Lopes da Mota? Bem sei da posição de Vital Moreira neste caso, mas há uma coisa que na vida social comprometerá até o mais insuspeito dos cidadãos, tão apenas a sua companhia!
“Para além de não ter as inibições próprias da filiação partidária, tenho no meu currículo muitos anos de denúncia e de combate aos interesses instalados (...)” Parece-me que isto é Vital Moreira a pedir desculpa porque sempre viu coisas apenas de um lado. E não vai mudar de atitude e faz muito bem. Foi um candidato que apareceu sempre sem preocupações quanto aos seus resultados eleitorais. Pudera, pouco lhe interessa, porque tem lugar assegurado pela sua posição na lista, e como esteve sempre fora da máquina partidária do PS, se imaginou como um convidado para levar o partido às urnas, e não à vitória, que isso pertenceria aos aparelhistas. Resta, agora em fim de campanha, saber quem se encarregaria dessa vitória... Mas nós estamos aqui é para esCAVACAr neles. Transcrevendo do artigo de Vital Moreira:
1- “(...) nenhum partido pode ser politicamente responsabilizado pela má conduta profissional ou empresarial de militantes seus, salvo quando no exercício ou a coberto de cargos partidários (...)” para aduzir que “ (...) tendo em conta a responsabilidade directa de conhecidas figuras gradas do PSD na gestão do BPN (...) o PSD devia emitir a sua opinião política sobre a questão, condená-la e demarcar-se dela (...)” Tudo isto para dizer que o silêncio é comprometedor. E a questão não será de colocar também quando um político, nomeado para homem de Estado, abusa da sua posição e depois nem sequer ele ou o partido comentam, para se desculparem, demarcarem... Parece alheado da realidade o paternal observador que esquece que a obra que protege joga às escondidas. O nosso PM avança sempre com cabalas, e nem sequer se digna pronunciar-se claramente sobre aquilo de que é acusado em público. Medo de mentir, ou medo da verdade? Será que nenhuma das crianças neste recreio não sabe jogar à apanha ou andamos a jogar ao bate-pé?!
2- Nas linhas do Público ficou uma questão “Quantos militantes do PSD se sentem confortáveis com a companhia política dos protagonistas do BPN/SLN?”. Apesar de tudo, continuo a insistir que é pior o caso de um país que tem um Primeiro-Ministro cujo nome está envolvido em casos como aqueles que trouxeram a lume o nome de José Sócrates recentemente. Teorias da conspiração lembram-me a explicação das cegonhas ou a vinda do Pai Natal.
3- “Se os partidos políticos não podem ser responsabilizados pela censurável conduta extrapartidária dos seus militantes, já é exigível que se distanciem dela quando seja especialmente lesiva dos interesses públicos e comprometa politicamente o partido.” Concordo plenamente, mas onde é que está o Sr. Procurador Lopes da Mota? Bem sei da posição de Vital Moreira neste caso, mas há uma coisa que na vida social comprometerá até o mais insuspeito dos cidadãos, tão apenas a sua companhia!
4- Não se podem queixar os socialistas de pressão na comunicação social, porque afinal de contas, se quisermos responsabilizar algum político hoje em dia parecem ser o único meio para denunciar e agitar. As eleições não me parecem ser arma nenhuma de arremesso, vistas as sondagens e a perspectiva da abstenção.
E assim morre uma vez mais a culpa em praia inóspita, e solteira que ela vai, em tempo de eleições que ainda dão votos ao PS.
20 de maio de 2009
Saneamento básico
Meteu-se o Avô Cantigas sem graça com um poeta que a tem no nome.
Ainda inspirado neste episódio, será assumptível que o próximo programa mirabolante do Governo para a reforma da Administração Pública vai ser o Sanex?
Entretanto, esCAVACA-se o manual básico do saneamento:
- não é saneado quem é da côr política (vejam o caso do Director do Instituto do Emprego)
- não é saneado quem faz favor ou jeito, pessoal ou à família (vejam o caso de Lopes da Mota)
- não será saneado o PM que tenha usado e abusado da sua influência política em todo o seu percurso pessoal (vejam o caso do curso, dos projectos das casas, e daquele outlet em Alcochete).
Eu, se estivesse no lugar de António Vitorino ou Jorge Coelho, estava hoje contente, mas talvez tivesse algum pudor em falar do caso Freeport, não porque é uma cabala, mas porque tinha sido saneado por bagatelas como registos de terrenos. Ou então não foi saneamento.
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